
Benefícios do Ori Tahiti
Os Benefícios do Ori Tahiti para o Corpo, Mente e Ser Ori Tahiti Todos sabemos que a dança traz inúmeros [...]
Os Benefícios do Ori Tahiti para o Corpo, Mente e Ser
Ori Tahiti
Todos sabemos que a dança traz inúmeros benefícios para o corpo, mente e ser, e com o Ori Tahiti não poderia ser diferente. Essa dança enérgica tem raízes profundas na natureza e na cultura polinésia, proporcionando uma conexão única com o mundo ao nosso redor. Além de fortalecer a musculatura profunda do abdômen, costas, pernas e quadris, o Ori Tahiti trabalha a postura e a consciência corporal dos pés à cabeça, desenvolvendo mobilidade, força e flexibilidade. A prática auxilia no emagrecimento e pode substituir horas de academia por uma atividade dinâmica e prazerosa, trazendo benefícios completos para o corpo e a mente.
Benefícios do Ori Tahiti para o Corpo
Com a prática regular do Ori Tahiti, você desenvolve:
- Resistência e força
- Fortalecimento do sistema cardiovascular
- Melhora do equilíbrio e coordenação motora
- Aumento da flexibilidade
- Saúde óssea e muscular fortalecida
Essa transformação acontece por meio de aulas dinâmicas, que incluem aquecimento, exercícios específicos e sequências técnicas até a construção das coreografias.
Muitas mulheres que começam no Ori Tahiti se surpreendem com a transformação não só no corpo, mas na confiança. Já vi alunas que chegaram tímidas e, meses depois, estavam dançando com brilho nos olhos e orgulho de si mesmas.
Benefícios do Ori Tahiti para a Mente
Aprender algo novo desafia nosso cérebro a criar novas conexões neurais, melhorando a memória e a agilidade mental. No Ori Tahiti, não apenas aprendemos passos e sequências, mas também mergulhamos em uma cultura rica, cheia de histórias, artesanato, músicas e até um novo idioma. Esse universo cultural expande nossos horizontes e estimula a mente constantemente.
Disciplina e Dedicação na Dança
Se você deseja aprender Ori Tahiti, precisa adotar duas palavras essenciais: disciplina e dedicação. Ninguém nasce sabendo, e alcançar excelência requer treino e perseverança. Quanto mais você pratica, mais seu corpo compreende os movimentos e eles passam a fluir naturalmente. Essa mentalidade não se aplica apenas à dança, mas a todos os aspectos da vida, onde a determinação é a chave para o sucesso.
Ori Tahiti no Combate ao Estresse e à Depressão
A prática de atividades físicas estimula a produção de hormônios como dopamina e endorfina, responsáveis pelo prazer, felicidade e bem-estar. A dança, aliada a um estilo de vida saudável, melhora significativamente a qualidade de vida, ajudando a reduzir o estresse e até sintomas de depressão.
Muitas alunas relatam que, ao dançar, esquecem os problemas do dia a dia e saem das aulas mais leves e felizes. A dança se torna uma verdadeira terapia, um momento de conexão consigo mesma.
Autoestima e Confiança com o Ori Tahiti
O Ori Tahiti é uma dança livre de tabus e preconceitos corporais, permitindo que cada mulher se expresse com autenticidade. Independentemente do tipo físico, todos são bem-vindos a essa arte. A prática fortalece a autoestima, ajudando a superar inseguranças e a se sentir mais confortável consigo mesma.
Muitas mulheres chegam com vergonha do próprio corpo, mas, com o tempo, percebem que o importante é sentir-se bem consigo mesma. O Ori Tahiti ensina que cada corpo é bonito do seu jeito, e a confiança floresce com a dança.
Conexões e Novas Amizades na Dança
Dançar é também uma forma de socialização. Através do Ori Tahiti, conhecemos pessoas em aulas, eventos, apresentações e até mesmo online. Em um mundo cada vez mais individualista, essa dança reforça valores como coletividade, respeito e amor ao próximo, criando laços genuínos e fortalecendo o senso de comunidade.
Venha Experimentar o Ori Tahiti!
Mais do que um exercício físico, o Ori Tahiti é uma jornada de autodescoberta, transformação e conexão. Se você busca uma atividade que fortaleça corpo e mente, ao mesmo tempo que enriquece seu ser, venha experimentar o Ori Tahiti!
Agende uma aula experimental e sinta na pele a magia dessa dança!
Permita-se viver essa transformação e descobrir uma nova versão de si mesma!

Paoa (Pā’ō’ā )
O que é Pā’oa? O Pā’oa é um estilo de Ori Tahiti caracterizado por sua natureza improvisada e interativa, frequentemente [...]
O que é Pā’oa?
O Pā’oa é um estilo de Ori Tahiti caracterizado por sua natureza improvisada e interativa, frequentemente associado a temas lúdicos e expressivos. Sua origem não é totalmente definida, existindo duas principais hipóteses sobre seu surgimento.
Origem do Pā’oa
A hipótese mais tradicional sugere que o Pā’oa era uma dança exclusiva da alta sociedade taitiana, realizada em Marae (santuários ao ar livre). Esse estilo era utilizado para simbolizar e celebrar a consumação de casamentos entre membros da realeza. Esse contexto explicaria a maneira coreográfica como o Pā’oa é dançado atualmente: bailarinos formam círculos enquanto, no centro, casais surgem improvisando movimentos sugestivos que evocam prazer e conexão.
A segunda hipótese sugere que o Pā’oa nasceu entre os trabalhadores que confeccionavam o tecido Tapa. Durante o processo de fabricação, eles cantavam e dançavam espontaneamente ao ritmo dos sons produzidos pelas ferramentas de trabalho. Os dançarinos formavam círculos onde alguns improvisavam passos, enquanto outros marcavam o ritmo das canções com marteladas e batendo as mãos nas coxas.
Elementos Musicais e Coreográficos do Pā’oa
A musicalidade do Pā’oa conta com instrumentos tradicionais como:
- Pahu
- Fa’atete
- Instrumentos de corda (em algumas variações)
Além da dança e da música, um dos aspectos mais marcantes do Pā’oa é seu diálogo cômico cantado. Um integrante do grupo assume o papel de entreter o público com frases, enquanto os dançarinos sentados ao redor do círculo respondem com as palavras “hī” e “hā”.
O caráter divertido e exagerado do Pā’oa se reflete também nas coreografias, onde os bailarinos realizam movimentos livres e expressivos, reforçando a conexão entre a dança e o significado do tema apresentado.

Hivinau (Hivināu)
O que é Hivinau? Hivinau é um dos estilos do Ori Tahiti que é caracterizado por sua energia, humor e [...]
O que é Hivinau?
Hivinau é um dos estilos do Ori Tahiti que é caracterizado por sua energia, humor e dinâmica envolvente. Sua origem remonta à época dos primeiros circunavegadores que chegaram às ilhas da Polinésia.
Os marinheiros, ao manobrar seus grandes barcos, utilizavam comandos coletivos para coordenar os esforços da tripulação. Uma das frases mais repetidas era “levantar agora”, dita no momento de girar o cabrestante. Essa prática chamou a atenção dos nativos, inspirando um novo estilo de dança que traduzia essa ação de forma artística e bem-humorada.
Como o Hivinau é Interpretado?
O Hivinau é uma dança coreografada em formato de círculo, onde dançarinos e dançarinas se posicionam em dois círculos girando em direções opostas. Quando se cruzam, todos gritam a frase “A hiri’a ha’a ha’a”, que também pode ser dita em resposta ao ra’atira (líder da dança).
O ra’atira ocupa o centro do círculo, junto com a orquestra, e tem o papel de marcar o ritmo, animar os dançarinos e conduzir a interação do grupo.
As músicas do Hivinau são acompanhadas por instrumentos tradicionais da Polinésia, como:
- To’ere
- Pahu
- Fa’atete
Os ritmos são menos complexos em comparação com outros estilos do Ori Tahiti, destacando a energia coletiva e a diversão como aspectos principais dessa dança vibrante.

Tamure (Tāmūrē)
O que é Tamure? Tamure é um termo popularmente utilizado para se referir ao Ori Tahiti, a dança tradicional taitiana. [...]
O que é Tamure?
Tamure é um termo popularmente utilizado para se referir ao Ori Tahiti, a dança tradicional taitiana. Esse nome surgiu como um apelido e tem origem curiosa, ligada tanto à natureza quanto à cultura da Polinésia.
O termo Tamure foi inspirado em um peixe das lagoas do arquipélago de Tuamotu, que era chamado assim. No entanto, a adoção desse nome para a dança aconteceu de forma inusitada.
Durante a Segunda Guerra Mundial, um soldado estrangeiro chamado Louis Martin se encantou com a música e a dança taitiana. Entusiasmado, ele repetia constantemente o nome Tamure ao cantar canções animadas ao som do ukulele. Seu hábito acabou sendo bem recebido pelos polinésios, que passaram a associar a palavra ao Ori Tahiti, incorporando-a ao vocabulário popular.
Embora Tamure seja um termo amplamente reconhecido, o nome correto e tradicional da dança continua sendo Ori Tahiti.

Figurinos do Ori Tahiti
Trajes Tradicionais do Ori Tahiti: História, Materiais e Evolução Os trajes tradicionais usados na prática do Ori Tahiti eram originalmente [...]
Trajes Tradicionais do Ori Tahiti: História, Materiais e Evolução
Os trajes tradicionais usados na prática do Ori Tahiti eram originalmente confeccionados 100% com matérias-primas naturais, coletadas diretamente da natureza. Flores, folhas, fibras vegetais e cascas de árvores eram amplamente utilizadas. Um dos materiais mais importantes era o Tapa, um tecido tradicional e sagrado produzido pelos nativos a partir da casca de árvores. O Tapa possui um grande valor cultural para os polinésios, pois faz parte da história e tradição das ilhas.
Principais Elementos dos Trajes
- Saias de fibras naturais: geralmente feitas da casca de Purau (Hibiscus tiliaceus), utilizadas para realçar os movimentos do quadril.
- Cintos ornamentados: ajudam a destacar os movimentos da dança.
- I’I: espécie de pompom feito de fibras vegetais, utilizado para enfatizar os movimentos das mãos.
- Coroas e colares: adornos tradicionais feitos de flores, folhas ou elementos marinhos.
- Paréos: originalmente confeccionados em Tapa, mas que, com o tempo, passaram a ser feitos de algodão, tanto liso quanto estampado.
- Elementos naturais adicionais: incluem madrepérolas, conchas, algas, escamas, ossos de peixes e penas de pássaros. A coleta e confecção desses elementos exigem conhecimento ancestral, respeitando os ciclos naturais e critérios de seleção.
A Influência dos Missionários e a Evolução dos Trajes
Originalmente, a parte do busto ficava descoberta. No entanto, com a chegada dos missionários católicos, houve uma influência significativa nos costumes e na vestimenta dos polinésios. Foi nessa época que surgiram os primeiros tops para cobrir os seios, inicialmente feitos também com materiais naturais, como fibras, flores e casca de coco, criando uma harmonia entre tradição e modernidade. Atualmente se usa alem dos tradicionias tops de algodão ou outros tecidos sintéticos.
Vestuário para Aparima e Outros Estilos
- Aparima: costuma ser dançada com um paréo longo, chegando até os tornozelos, vestidos,ou pareos e saias em modelos curtos em alguns estilos coreográficos.
- Aparima Mehura: utilizava vestidos confeccionados em Tapa, que mais tarde foram influenciados pelo estilo missionário, cobrindo todo o corpo. Atualmente, os figurinos variam entre os tradicionais e os contemporâneos, permitindo maior liberdade de escolha.
A Confecção dos Trajes e a Preservação da Cultura
A confecção dos trajes é um conhecimento ancestral transmitido de geração em geração. Nas comunidades polinésias, as crianças são ensinadas desde cedo a produzir seus próprios figurinos. Esse costume também se expandiu para as escolas de Ori Tahiti ao redor do mundo, que frequentemente promovem oficinas de confecção.
Uma professora de Ori Tahiti deve ter, pelo menos, um conhecimento básico sobre a produção e a história dos trajes para repassá-lo aos seus alunos, garantindo a preservação cultural.
A Importância do Figurino nos Campeonatos e Performances
O figurino dentro do Ori Tahiti é tão relevante que, em alguns campeonatos, há categorias específicas para julgar e premiar os trajes separadamente. Além de valorizar a estética e a autenticidade cultural, os figurinos desempenham um papel essencial na composição cênica das coreografias.
Cada dança e tema exigem um tipo específico de figurino. Por exemplo:
- Para interpretar uma aparima sobre o mar, são recomendadas cores e elementos que remetam ao oceano.
- Em danças de boas-vindas, cores alegres e vibrantes, adornadas com flores, são ideais.
Conclusão
Os trajes do Ori Tahiti vão muito além de simples vestimentas: carregam história, cultura e tradição. Compreender sua evolução e saber como confeccioná-los é essencial para quem deseja se aprofundar na dança e honrar a rica herança polinésia. Assim, manter esse conhecimento vivo é uma forma de respeito e preservação cultural.

Instrumentos Tahitianos
Instrumentos Musicais Tradicionais do Tahiti Todos os ritmos das canções tahitianas são emitidos por instrumentos típicos e tradicionais. Vamos explorar [...]
Instrumentos Musicais Tradicionais do Tahiti
Todos os ritmos das canções tahitianas são emitidos por instrumentos típicos e tradicionais. Vamos explorar um pouco sobre cada um deles.
Pahu: O Tambor Tradicional
Os pahus são tambores altos e fixos, esculpidos a partir de troncos de árvores como Pua (Fragaea Berteriana), Tamanu (Calaphyllum Inophyllum) e Miro (Thespesia Populnea). Eles são confeccionados em diferentes formas e tamanhos e cobertos por uma pele grossa de cabra, bezerro ou tubarão. O percussionista toca o pahu em pé, utilizando as mãos.
Variações do Pahu
- Pahu To’ere: Tambor comprido, tradicionalmente usado por sacerdotes em espaços sagrados (Marae).
- Pahu Tupa’i Rima: Versão moderna, esculpida em tronco de coqueiro e coberta com pele de bezerro.
- Fa’atete: Também uma versão moderna, revestida por uma única membrana. Pode ser tocado com duas baquetas de madeira macia ou com as mãos, emitindo um som metálico e menos ressonante.
- Tariparau: Revestido por duas membranas de pele de tubarão, emite um timbre baixo e ligeiramente ressonante. É tocado com um malho revestido de tecido e fornece a batida básica para o ritmo.
To’ere: O Tambor de Madeira
O to’ere é um tambor de madeira vazado com uma fenda, originário das Ilhas Cook. Considerado um dos principais instrumentos da orquestra tahitiana, ele é esculpido em madeira de Milo, Kou ou Kamani, todas nativas das ilhas. Tradicionalmente, é entalhado com belos desenhos e motivos polinésios.
Como o To’ere é Tocada
Para tocá-lo, utiliza-se uma baqueta de Aito, madeira dura e resistente, enquanto a outra mão apoia o instrumento. Em algumas regiões, como nas Ilhas Cook, o to’ere é posicionado no chão e golpeado com duas baquetas.
Funções do To’ere na Orquestra
- To’ere Arata’i – Líder
- To’ere Tahape – Contratempo
- To’ere Tamau – Suporte
- To’ere Faatomo – Ritmo
Instrumentos de Sopro
Pu: A Concha de Chamada
O pu é uma concha do mar tipo murex, perfurada no centro. No passado, era utilizado em cerimônias importantes e para anunciar eventos e notícias.
Vivo: A Flauta Nasal
O vivo é uma flauta nasal feita de bambu, amplamente usada na Polinésia Francesa. Nomes locais para este instrumento incluem:
- Ku Ihu – Havaí
- Koau Au – Maori
- Pu Ihu – Ilhas Marquesas
O vivo mede entre 20 e 40 cm e frequentemente apresenta gravações pirografadas com temas polinésios. Além de compor orquestras, é utilizado como hobby e lazer nas ilhas.
Ukulele: Influência Externa na Cultura Tahitiana
O ukulele é um pequeno instrumento de quatro cordas, introduzido no Tahiti por navegantes europeus. Apesar de não ser originário da Polinésia,caiu na graça das ilhas e tornou-se um símbolo emblemático da música tahitiana. No contexto da dança, o ukulele está associado exclusivamente ao estilo Aparima.

Diferença entre Dança Tahitiana x Dança Havaiana (Ori Tahiti x Hula)
Diferenças entre ‘Ori Tahiti e Hula É comum que muitas pessoas confundam a Hula com o ‘Ori Tahiti, presumindo tratar-se [...]
Diferenças entre ‘Ori Tahiti e Hula
É comum que muitas pessoas confundam a Hula com o ‘Ori Tahiti, presumindo tratar-se da mesma manifestação cultural. Embora ambas sejam expressões artísticas de origem polinésia e compartilhem raízes ancestrais – os povos Maori tiveram influência em suas formações –, cada uma desenvolveu características próprias, ligadas às ilhas de onde se originaram: a Hula é típica do Havaí e o Ori Tahiti, claramente do Tahiti. Portanto ‘Ori Tahiti, não é Hula.
Origens e Contexto Cultural
O ‘Ori Tahiti e a Hula não são apenas formas de entretenimento, mas sim expressões vibrantes da identidade cultural de seus povos. Desde os tempos antigos, essas danças eram usadas para transmitir histórias, mitologia, tradições, crenças religiosas, suas origens, a natureza ao seu redor e até mesmo aspectos da vida cotidiana.
A Hula traduzida como “Dança” na lingua havaiana (‘Olelo Hawai’i), foi criada pelos polinésios que se estabeleceram no Havaí e se caracteriza pelo acompanhamento de canto (Oli) ou música (Mele). Ela tem um forte vínculo com a religiosidade, sendo usada para também registrar eventos históricos, preservar o conhecimento, mitologia e costumes da civilização havaiana. Existem dois estilos de Hula: Hula Kahiko (tradicional) e Hula Auana (moderna). A Hula Kahiko destaca, por ser mais criteriosa e seus protocolos extremamente rígidos, nos quais cada gesto, movimento e expressão é meticulosamente definido para preservar o significado e a tradição ancestral havaiana.
O ‘Ori Tahiti, anteriormente conhecido como ‘upa ‘upa, significa literalmente ” Dança do Taiti” na língua taitiana (Reo Tahiti). Desde suas origens, é acompanhado pelos ritmos intensos e marcantes dos tambores tradicionais, como o Pahu e o To’ere. Inicialmente, era dançado apenas por homens, que utilizavam seus movimentos vigorosos como forma de expressão em contextos de guerra e demonstração de força. Com o tempo, as mulheres também passaram a dançar, trazendo uma nova dimensão à arte com movimentos mais fluidos e graciosos. Era também praticado em diversos contextos: para seduzir um amante, desafiar um inimigo, enaltecer a natureza, celebrar momentos importantes, homenagear os deuses e até mesmo como forma de oração. Com o passar dos séculos, o ‘Ori Tahiti se tornou parte essencial das cerimônias e festividades das ilhas da Polinésia Francesa, preservando até hoje a identidade e os valores culturais de seu povo. Existem alguns estilos na dança taitiana, mas os mais praticados são a ‘ote’a (tradicional) e ‘Aparima (moderna). Em contraste com a Hula, o ‘Ori Tahiti, embora também criterioso e enraizado em tradições profundas, tende a permitir uma expressão mais livre e flexível em sua coreografia.
Comparação entre os Estilos Tradicionais: Hula Kahiko e ‘Otea
Hula Kahiko
Trata-se do estilo tradicional, onde a dança envolve todo o corpo com ênfase nos gestos precisos dos braços e mãos com passos típicos, acompanhando uma coreografia que reproduz histórias cantadas. A melodia, executada com instrumentos tradicionais e cantos, pode variar em ritmos lentos e rápidos, costuma ser mais cadenciada e os movimentos do quadril nunca são tão rápidos como os do ‘Ori Tahiti. O figurino tradicional inclui o Pāʻu, uma saia de grande valor simbólico para os dançarinos.
‘Otea
Também se trata do estilo tradicional e se diferencia por valorizar movimentos intensos e enérgicos, principalmente com a acentuada movimentação dos quadris. Seus ritmos são marcados por batidas fortes e rápidas, geralmente instrumental e sem letras que exigem coreografias dinâmicas, agilidade e precisão dos dançarinos. Para dançar, usa-se o Pareu.
Comparação entre os Estilos Modernos: Hula Auana e ‘Aparima
Hula Auana
Estilo moderno da Hula, influenciada pelo contato com culturas ocidentais, apresenta melodias mais suaves, acompanhadas por instrumentos de cordas, como o ukekê (“ukulele” ao estilo havaiano) e guitrra havaiana. Seus movimentos são mais fluidos e graciosos, mas continuam enfatizando a narrativa com as mãos. O traje pode variar, mas tradicionalmente o muʻumuʻu – um vestido leve e fluido – é bastante utilizado. Esse estilo adapta a tradição à contemporaneidade, sem perder a essência narrativa.
‘Aparima
A ‘Aparima no ‘Ori Tahiti tem características semelhantes à Hula Auana. É acompanhada por vocais, suas músicas tradicionais (Himene) também tem a influencia dos estrangeiros. Seus movimentos como nas Auanas são suaves, e, embora se englobem também os quadris, o foco está em contar histórias com as mãos. Existem vários ritmos e alguns estilos de ‘Aparima. Seu figurino tradicional pode incluir longos pareos ou vestidos, especialmente o modelo conhecido como ahupurotu, que guarda semelhanças com alguns trajes havaianos.
Essa influência estrangeira em ambas as danças, além de refletir a estética local, revela uma interação histórica com elementos trazidos pela cultura católica, que, durante a colonização, deixou sua marca nas vestimentas e na forma de se expressar.
Além das diferenças marcantes, a Hula e o ‘Ori Tahiti também compartilham diversas semelhanças que podem contribuir para a confusão entre as duas danças. Alguns passos são similares, como exemplos: o toro (‘Ori Tahiti) e hela (Hula), o ‘ami ou tumami (‘Ori Tahiti) e ‘ami (Hula), e hura ou tamau taere (‘Ori Tahiti) e ka’o (Hula), que aparecem em ambas as práticas. Além disso, há gestos manuais que possuem significados idênticos nas duas danças. Por exemplo, ao representar elementos da natureza, como flores, o mar e o sol, os dançarinos de ambos os estilos utilizam gestos muito parecidos ou idênticos, para ilustrar essas imagens dentro da coreografia. Isso acontece porque as culturas polinésias compartilham símbolos e narrativas visuais semelhantes, fortalecendo sua conexão com a terra, o oceano e os ancestrais. No entanto, apesar dessas semelhanças, cada dança mantém sua essência única e seus próprios códigos tradicionais de execução, que devem ser respeitados e compreendidos para evitar generalizações.
Tanto na Hula quanto no Ori Tahiti, os trajes carregam grande simbolismo e estão intrinsecamente ligados à identidade cultural. Alguns dos acessórios comuns incluem:
Coroas – conhecidas como haku no Havaí e ’apua no Tahiti – e colares (Lei no Havaí e Hei no Tahiti) são essenciais, servindo para representar a natureza e enaltecer a beleza das danças.
Tanto o Ori Tahiti quanto a Hula utilizam materiais naturais na composição de seus figurinos tradicionais, como saias e top. Folhas, ráfia, fibras de coco, elementos do mar com conchas e flores são elementos essenciais nas vestimentas, refletindo a forte conexão das danças com a natureza. Esses materiais não apenas simbolizam a ancestralidade e a cultura polinésia, mas também trazem movimento e autenticidade às performances.
Outra maneira de identificar se você está assistindo a uma apresentação de Hula ou ‘Ori Tahiti é observar o idioma das músicas e cantos que acompanham a dança. Embora ambas as línguas tenham a mesma raiz polinésia e compartilhem muitas palavras semelhantes, existem muitas diferenças, dentre elas aqui uma diferença marcante que auxilia na identificação: no idioma havaiano, não existe a letra “R”, enquanto no taitiano, a letra “L” não está presente. Como exemplo: Aloha e Aroha que significam “amor”.
Instrumentos
Segue um resumo dos principais instrumentos utilizados, exemplificando as particularidades de cada um:
Instrumentos da Hula
Ipu
Tambores de cabaça, compostos por duas cabaças, que fornecem o ritmo e o andamento para os cantos e danças havaianas.
‘Uli ‘Uli
Chocalho feito com uma cabaça seca que contém pequenas pedras ou sementes, adornado com uma coroa de penas coloridas.
Ukekê
Instrumento de cordas indígena do Havaí, confeccionado a partir de uma fina peça de madeira dobrada e equipado com três cordas de fibra de coco. Importante não confundir com o ukulele, que não é nativo do Havaí.
Ohe hano ihu (ou simplesmente hano)
Conhecido como “flauta nasal”, seu nome deriva de “ohe” (bambu), “hano” (respirar fortemente) e “ihu” (nariz), referenciando o som característico que imita a respiração.
O pu
Utilizado como trombeta cerimonial, é feito a partir da concha de uma grande concha, cujo formato cônico natural gera o tom musical.
Pu’ili
Chocalho confeccionado em bambu, que complementa a percussão.
Kala’au
Bastões feitos de madeira de koa, batidos juntos para produzir um som de clique durante as apresentações.
Instrumentos do ‘Ori Tahiti
To’ere
Instrumento de percussão mais famoso da música polinésia, composto por um tronco oco com uma única fenda, tocado com uma baqueta cônica de madeira. Atua como a voz principal da melodia rítmica, produzindo diversos sons conforme a área percutida.
Tari Parau
Tipo de bumbo tocado com um martelo de feltro, cuja ressonância alta define o ritmo e o andamento da música.
Fa’atete
Pequeno tambor de membrana tocado com duas baquetas, que “preenche” a música com camadas sonoras complementares.
Pahu Tupai
Instrumento alto e estreito, cuja parte inferior serve de suporte e a parte superior forma a caixa sonora do tambor. Tocado com as mãos, geralmente posicionado atrás dos músicos sentados.
Ukulele Polinésio
Instrumento de cordas icônico da música polinésia, adaptado do cavaquinho português e popularizado no Havaí. Possui uma caixa de ressonância de madeira e quatro cordas, proporcionando acordes suaves e melodias que complementam os ritmos percussivos, reforçando a identidade cultural da região.
A Influência da Indústria Cinematográfica
A indústria do entretenimento contribuiu para a confusão entre essas danças. Filmes antigos retrataram de forma genérica as tradições polinésias, sem diferenciar as expressões culturais das diferentes ilhas, incluindo dança, surf e outras tradições. Como resultado, muitos associam todas essas manifestações ao Havaí, ignorando a riqueza e diversidade dos outros povos do Pacífico.
Além disso, a ascensão da cultura havaiana na mídia foi impulsionada por artistas como Elvis Presley, que ajudou a popularizar o Havaí com seus filmes e shows, como Blue Hawaii (1961). O sucesso de suas produções e sua ligação com a cultura havaiana fizeram com que o Havaí ganhasse grande visibilidade no cenário internacional.
Enquanto isso, o ‘Ori Tahiti começou a se popularizar mundialmente no início do século 20, quando passou a ser apresentado em espetáculos internacionais e festivais culturais, trazendo mais reconhecimento à dança taitiana.
Além da dança, tanto o Taiti e o Havaí, quanto outros povos polinésios, compartilham outros costumes culturais fundamentais para sua identidade, como alguns exemplos:
- Canoa polinésia (Va’a) – Essencial para a navegação e exploração dos povos polinésios, a va’a ainda é amplamente praticada como esporte e tradição.
- Surf – Criado pelos polinésios, o surf é uma tradição que simboliza a conexão com o oceano e foi levado ao mundo através do Havaí.
- Tatuagem Polinésia – Tanto no Taiti quanto no Havaí, as tatuagens carregam significados espirituais e sociais, representando status, linhagem e crenças.
Dentre outros.
Considerações Finais
Reconhecer as diferenças entre a Hula e o Ori Tahiti é fundamental para valorizar a pluralidade das culturas polinésias. Cada dança, com sua própria estética, ritmo e simbologia, é uma expressão única da história e da identidade dos povos que as criaram. Compreender essas nuances contribui para um respeito maior pelas tradições ancestrais e para a preservação desse patrimônio cultural.

Aparima (‘Aparima)
O que é Aparima? Aparima, de acordo com o dicionário taitiano, significa: “Uma espécie de dança onde os braços e [...]
O que é Aparima?
Aparima, de acordo com o dicionário taitiano, significa: “Uma espécie de dança onde os braços e as mãos desenham figuras correspondentes à canção ou música.” Esse estilo de dança representa uma das características mais belas e singelas do Ori Tahiti: a capacidade de comunicar e transmitir sentimentos, emoções e histórias por meio dos gestos. Combinados a passos harmoniosos, os movimentos possibilitam que o espectador decifre a canção e viva intensamente cada momento.
A Aparima é executada ao ritmo de músicas que traduzem poesias, contos, histórias de amor, homenagens aos antepassados, cenas do cotidiano e a alegria de viver. A expressividade dessas canções exige dos dançarinos muito mais do que a execução correta dos passos: é preciso transmitir emoção, intenção e energia (mana) em cada gesto e coreografia.
Os estilos de Aparima
A Aparima se divide em três principais estilos:
1. Aparima Himene (‘Aparima Hīmene)
Este é o estilo mais moderno e contemporâneo. “Himene” significa canção, e esse estilo surgiu na década de 1930, com a introdução de instrumentos modernos de corda, como o ukulele (derivado do cavaquinho trazido por navegantes). Desde então, a Aparima Himene evoluiu com influências externas, mas manteve suas melodias tradicionais. As coreografias seguem o ritmo da música, podendo ser mais lentas ou animadas, com movimentos de quadril suaves que harmonizam a expressão corporal com a poesia da canção, sempre enfatizando os movimentos e gestos de braços e mãos.
2. Aparima Vava (‘Aparima Vāvā)
Considerado o estilo mais tradicional e antigo da Aparima, “Vāvā” significa “mudo” ou “pessoa que não fala permanentemente”. Diferente dos outros estilos, a Aparima Vava é dançada sem letras cantadas, sendo acompanhada apenas por instrumentos de percussão. Os bailarinos podem estar ajoelhados ou sentados com as pernas cruzadas, enfatizando os gestos dos braços e das mãos, que devem ser claros e firmes para transmitir com precisão a mensagem da coreografia.
3. Aparima Mehura (‘Aparima Mehura)
Caracterizado por um ritmo lento, este estilo se aproxima do Hula havaiana. As músicas são orquestradas principalmente pelo som das guitarras e ukuleles, criando melodias suaves e românticas. As coreografias priorizam a graciosidade dos gestos e passos, e o figurino típico para esse estilo é o ‘Ahu Purotu, um vestido elegante e tradicional.
Trajes e Acessórios da Aparima
Os figurinos da Aparima variam de acordo com o estilo e a temática da coreografia, sendo fundamentais para transmitir a mensagem e a essência da dança. Entre os trajes mais comuns, destacam-se:
- Pareos: Amarrados ao quadril, na altura dos pés ou tornozelos, ou transformados modelos variados.
- Vestidos: em modelos tradicionais e modelos contemporâneos.
- Saias: Podem ser confeccionadas em tecidos e modelos modernos ou em modelos e materiais tradicionais, como fibras naturais e cascas de árvores conhecidas também como More.
Além dos trajes, os acessórios desempenham um papel crucial na composição do tema ou no embelezamento da performance. Tradicionalmente, esses complementos incluem:
- Coroas de flores: Conhecidas por ‘apua, hei po, haku (termo havaiano) ou simplesmente coroa de flores, que valorizam a identidade cultural.
- Colares típicos: conhecidos como hei feitos com flores e/ou folhas; e e colares com elementos naturais.
- Arranjos de flores nos cabelos: Conhecidos como po’ara, ressaltam a beleza e a conexão com a natureza.
- Cintos: Tradicionais como o hip hei, maro, dentre outros, são compostos por flores, folhas, rafia natural etc.
- Apetrechos de cabeça e outros acessórios: Feitos com elementos naturais tanto das águas quanto da terra, reforçando o tema da Aparima e as tradições polinésias.
A combinação dos trajes com esses acessórios realça a autenticidade e a expressividade da dança, mantendo o respeito pelas tradições enquanto permite a integração de elementos modernos quando apropriado.
A Aparima é muito mais do que um estilo de dança; é uma forma de contar histórias, preservar tradições e expressar emoções por meio do movimento, conectando dançarinos e espectadores com a alma da Polinésia.
A variação e diferença de ritmos da Aparima, são muitos… O repertório é vasto atendendo todos os gostos e estilos!
Dois exemplos bem distintos de aparima:
Neste, uma Aparima romântica que faz referêcia de uma pessoa que aguarda sua amada durante a noite.
Já neste vídeo temos uma aparima bem animada e conteporânia do Cantor Ken Carlter, que é um nome de peso na cultura e música Polinésia. Essa música foi hit nas paradas de sucesso em 2019 em vários países. A letra da música é de boas vindas ao Tahiti, celebra o amor, respeito e orgulho pela terra nativa.

Otea (‘Ōte’a)
O que é a Otea? A Otea é um estilo vibrante e dinâmico do Ori Tahiti, carregado de simbologia [...]
O que é a Otea?
A Otea é um estilo vibrante e dinâmico do Ori Tahiti, carregado de simbologia e história. Considerada um dos mais importantes símbolos culturais da Polinésia Francesa, essa expressão artística foi descrita por Teuira Henry, autora do livro Tahiti in Ancient Times, como uma “dança violenta e espasmódica”.
Origem e Evolução da Otea
Originalmente, a Otea era dançada exclusivamente pelos homens polinésios. Suas raízes têm influências Maori e estavam associadas a movimentos de guerra, força e virilidade, servindo para impor presença diante dos inimigos, demonstrar poder dentro da comunidade e até mesmo impressionar durante cortejos amorosos.
Com o tempo, a Otea evoluiu e se dividiu em quatro principais estilos coreográficos:
- Otea Tane (‘ōte’a Tāne) – dançada exclusivamente por homens.
- Otea Vahine (‘ōte’a Vāhine) – dançada exclusivamente por mulheres.
- Otea Apiti (‘ōte’a ‘Āpiti) – dançada em duplas (casais).
- Otea Amui (‘ōte’a ‘Āmui) – executada por grupos mistos.
Ritmo e Execução
Os ritmos vibrantes da Otea são acompanhados por tambores tradicionais (pahu) e outros instrumentos de percussão que criam batidas fortes e rápidas. As coreografias exigem resistência, agilidade, força e técnica apurada, pois não contam com letras, dependendo totalmente da expressão corporal para transmitir suas mensagens.
Os movimentos incluem passos rápidos e precisos de quadril, em conjunto com figuras e gestos que representam o tema escolhido para a dança.
Quando realizada em grupo, os dançarinos costumam se organizar em linhas alternadas entre homens e mulheres, ou formar desenhos elaborados como círculos e padrões simétricos que destacam a fluidez da dança.
Temas da Otea
A Otea pode retratar diferentes temas, como:
- Lendas e mitos polinésios.
- Eventos históricos.
- Situações cotidianas.
- Conceitos abstratos.
Figurino Tradicional da Otea
O figurino da Otea varia conforme a ocasião e pode ser tanto simples quanto elaborado. As opções mais utilizadas incluem:
- Pāreu (Pareô) – tecido de algodão amarrado na altura dos quadris, destacando os movimentos da dança.
- Top ou camiseta – usado para treinos e aulas do dia a dia ou tops elaborados com elementos naturais para competições e apresentações onde pedem um figurino mais sofisticado.
- Saias de fibras naturais – feitas de cascas de árvores, folhas secas ou frescas, usadas em apresentações tradicionais.
- Adornos naturais – coroas de flores (‘Apua), colares (Hei) e cintos (Maro) que realçam os movimentos e enaltecem a estética da dança.
A escolha do figurino deve considerar as cores, materiais e ornamentos adequados ao tema da coreografia, valorizando os detalhes que tornam a Otea ainda mais impactante.
A Evolução da Otea ao Longo dos Séculos
A Otea passou por várias transformações desde a chegada dos missionários europeus no século XVIII, que tentaram proibir a dança. Com a revitalização cultural do Tahiti no século XX, a Otea se consolidou como um patrimônio cultural e um dos elementos mais emblemáticos do Ori Tahiti no mundo.
Conclusão
A Otea é mais do que uma dança; é um símbolo da cultura polinésia, expressando história, identidade e tradição. Com seu ritmo enérgico e movimentos marcantes, continua a encantar e inspirar dançarinos ao redor do mundo, mantendo viva a rica herança do Ori Tahiti.
Confira abaixo um vídeo demonstrativo de como a Otea é dançada nos tempos atuais. Três dançarinas de Ori Tahiti apresentando suas permormaces no festival Ori Tahit Nui Competitions.

